Transvesites in Fortaleza: who are they? What factors make them more vulnerable to HIV and other STD infection?

Published: June 16, 2010

Introdução: As travestis estão entre as populações de mais alta  vulnerabilidade para a infecção pelo HIV e demais DST. Estudos  realizados no Brasil que determinem os fatores de risco ainda são  bastante raros. 

Desenvolvimento e Métodos: Foi realizado estudo seccional com  304 travestis residentes em Fortaleza-CE, para conhecer o perfil  sócio-demográfico e fatores determinantes das vulnerabilidades,  em parceria com a Universidade Federal do Ceará, Grupo de Apoio  e Prevenção á AIDS e Associação de Travestis do Ceará, em 2008.  As entrevistadas foram recrutadas pela técnica de RDS  (Respondent Driven Sampling), e os dados analisados pelo  software RDSAT v. 5.6, calculando-se as estimativas das  prevalências brutas e ajustadas. Os resultados foram divulgados  entre os participantes, em congressos, e artigos produzidos estão  sendo encaminhados para publicação. 

Resultados: 51% das entrevistadas tinham > 24 anos de idade,  cursou o ensino fundamental (55%), pertence às classes sociais C,  D, E (62%) e percebem de 1-4 S.M (52%). Muitas (65%) já  residiram em outro estado/país. Vinte e um por cento esta  empregada em tempo integral, 57% disseram ter se prostituído nos  últimos 3 meses e 70% afirmaram ter relações esporádicas com  diferentes homens e/ou mulheres. 19% iniciaram a vida sexual  com < 10 anos de idade.
Relações sexuais desprotegidas  ocorreram tanto nas relações homossexuais (47%) quanto  bissexuais (50%). As travestis afirmaram ter sofrido violência pela  orientação sexual (49%), e fizeram uso de drogas em encontros  sexuais (43%). A maioria (69%) já fez o teste de HIV, e a  prevalência relatada foi de 12%. 

Conclusões: A baixa condição econômica e social, e os fatores de  risco identificados para a infecção pelo HIV no estudo, confirmam a  alta vulnerabilidade das travestis, e apontam para a necessidade  reforçar as políticas públicas intersetoriais direcionadas ao  segmento, e para estudos seqüenciais, inclusive de abordagem  qualitativa, para o monitoramento dos comportamentos e  aprofundamento do conhecimento das realidades.

Leave a Reply