Pesquisa mundial indita indica que a maioria dos gays em todo o mundo no tem acesso aos servios mais bsicos de preveno e ateno em HIV

Published: November 30, 2010

Pesquisa mundial inédita indica que a maioria dos gays em todo o mundo não tem acesso aos serviços mais básicos de prevenção e atenção em HIV

Enquanto o mundo se prepara para novas tecnologias de prevenção, a maioria dos homens que fazem sexo com homens relata dificuldades no acesso a preservativos e lubrificantes.

29 de novembro de 2010 (Oakland, Califórnia, EUA) – Uma nova pesquisa com mais de 5 mil participantes ao redor do mundo indica que a maioria dos gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) no mundo têm o acesso  dificultado ou impossibilitado ao aconselhamento e testagem para HIV, bem como a preservativos e lubrificantes gratuitos.  Disponibilizados para coincidir com o Dia Mundial de Luta Contra Aids, os resultados preliminares destacam a importância do acesso universal à prevenção e ao tratamento do HIV, um dos principais temas da campanha do Dia Mundial deste ano.

A análise inicial dos resultados da pesquisa indica que menos da metade de gays e outros HSH ao redor do mundo tem acesso aos serviços mais básicos de prevenção e atenção em HIV.  De todos os participantes da pesquisa, apenas 39 por cento relataram ter facilidade no acesso a preservativos gratuitos e menos de um quarto relatou facilidade no acesso a lubrificantes gratuitos. Outros 25 por cento afirmaram que o lubrificante gratuito simplesmente não está disponível.  Houve uma porcentagem alta de homens que relataram ser difícil ou impossível acessar outros serviços essenciais também, incluindo o acesso a testagem para HIV (57 por cento), a materiais educativos sobre HIV (66 por cento) e ao tratamento do HIV (70 por cento).

Conduzida pelo Fórum Global sobre HSH e HIV (Global Forum on MSM & HIV – MSMGF) em colaboração com Dr. Patrick Wilson, professor assistente da Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia, a pesquisa foi realizada via internet em chinês, inglês, francês, russo e espanhol. Distribuída pelas redes mundiais do MSMGF e as da organização parceira Fridae.com, participaram da pesquisa 3.875 gays e outros HSH e 1.009 prestadores de serviços para gays e outros HSH – outros 375 participantes não se identificaram nem como gays/HSH ou como prestadores de serviços para gays/HSH.  Quase 75 por cento de todos os participantes do estudo eram de países de renda baixa ou média.

“Desde o início da epidemia, tem sido amplamente reconhecido que preservativos, testagem e tratamento, em conjunto com programas comunitários de mudança de comportamento e apoio, são as ferramentas mais confiáveis na luta contra o HIV entre gays e outros HSH,” afirmou Dr. George Ayala, diretor executivo do MSMGF.  “Depois de mais de 25 anos de epidemia, é imperdoável que gays e outros HSH ao redor do mundo continuem a ter acesso tão restrito a esses insumos básicos que salvam vidas.”

“Com a empolgação que existe acerca da possibilidade da profilaxia pré-exposição (PrEP), pode ser fácil esquecer que já temos uma rica seleção de medidas preventivas que sabidamente funcionam,” disse Patrick Hebert, responsável no MSMGF pela área de educação. “Estes resultados vêm ressaltar o fato de que não conseguimos fazer com que preservativos e lubrificantes cheguem a mais da metade dos gays e outros HSH ao redor do mundo. Temos que examinar com seriedade as barreiras que impedem os gays e outros HSH em diversos contextos nacionais de terem acesso a estas ferramentas preventivas comprovadas.”

Além de examinar os níveis de acesso às ferramentas e aos serviços de prevenção de HIV atualmente disponíveis, a pesquisa também avaliou conhecimentos  sobre novas tecnologias que estão surgindo, como a profilaxia pré-exposição (PrEP).  Embora os participantes da pesquisa da América do Norte, da Europa Ocidental e da Austrália tenham demonstrado ter mais conhecimentos sobre estratégias emergentes de prevenção que os da África, da Ásia, do Caribe, do Leste Europeu e da América Latina, um número significativo em todas as regiões expressou confusão sobre estas tecnologias.  Ao serem perguntados se os gays e outros HSH deveriam utilizar a PrEP para prevenir a infecção por HIV, 40% responderam “não sei .” Isto sugere a necessidade de se envidar maiores esforços de comunicação e educação direcionados a gays e HSH em todo o mundo com relação a estas novas opções em potencial. 

Diferenças regionais também surgiram quanto a experiências de estigma e discriminação.  Em relação a todos os indicadores do estigma relacionado à homofobia, os participantes da pesquisa da África, da Ásia, do Caribe, do Leste Europeu e da América Latina relataram experiências de níveis mais altos e mais agressivos de estigma e discriminação que seus pares da América do Norte, da Europa Ocidental e da Austrália.   

“O estigma e a discriminação agravam a epidemia do HIV entre gays e HSH e outras populações sob maior risco,” afirmou Othman Mellouk, presidente adjunto do MSMGF e coordenador de advocacy da International Treatment Preparedness Coalition (ITPC) para a região da África Setentrional.  “O estigma e a discriminação dificultam o acesso a programas de prevenção e tratamento porque fazem com que os gays e outros HSH se isolem e se afastem dos serviços dos quais possam precisar.  Sem responder à questão maior da homofobia, não há chances de acabar com a aids.”

O MSMGF está trabalhando atualmente com Dr. Wilson na conclusão da análise de todos os dados e deverá lançar um relatório completo logo no início de 2011. 

O Fórum Global sobre HSH e HIV (Global Forum on MSM & HIV – MSMGF) é uma rede crescente de organizações que trabalham com aids, redes de gays e HSH, e ativistas comprometidos em garantir boa cobertura e acesso equitativo a serviços de prevenção, atenção, tratamento e apoio em HIV adaptados para atender as necessidades de gays e outros HSH. Orientado por um Conselho Consultivo com 20 integrantes de 17 países localizados principalmente no hemisfério sul, e com apoio administrativo e financeiro do AIDS Project Los Angeles (APLA), o MSMGF atua para promover a saúde os direitos humanos de gays e outros HSH mundialmente, por meio de ações de advocacy, intercâmbio de experiências, produção de conhecimentos, trabalho em rede e fortalecimento de capacidades.

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