AIDS makes progress among young MSM

Published: November 22, 2011

Jovens de 15 a 24 anos estão na mira do Ministério da Saúde para controlar o avanço da Aids no país. Somente no ano passado, 9,5 brasileiros nesta faixa etária, em cada grupo de 100 mil habitantes, manifestaram sintomas da doença. A proporção, que equivocadamente pode parecer mínima para leigos, deixa em alerta autoridades. Em 2010, 3.238 novos casos foram registrados neste grupo. No Brasil, o total de pessoas com Aids chega a 608.230, desde o início da epidemia, há 32 anos.
 
O comportamento dos jovens colocou-os no centro da campanha que o Governo federal vai lançar em 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, e que será estendida até o Carnaval. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 95% dos brasileiros sabem que a camisinha é a melhor forma de evitar a contaminação. Apesar disso, houve queda no uso do preservativo.
 
Com o slogan "A Aids não tem preconceito. Previna-se", a campanha será divulgada também nas redes sociais e quer reforçar a necessidade de discussão da vulnerabilidade, principalmente entre gays de 15 a 24 anos. Em 1998, havia 12 homossexuais para cada dez heterossexuais com Aids nesta faixa etária. Em 2010, a proporção foi de 16 para dez.

O aumento dos casos na população gay e jovem surpreendeu a coordenadora de Políticas de Diversidade Sexual da Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas (Sedese), Walkiria La Roche. "Existem diversas instituições atuantes, levando informações ao segmento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). Nosso trabalho é feito diretamente em casas noturnas, saunas e pontos de encontro. Não esperava por isso".
 
Na opinião de Walkiria, uma das possíveis explicações para o crescimento é a qualidade de vida que portadores do vírus HIV conquistaram com o avanço dos tratamentos. "Antes, era comum ver doentes em estado cadavérico. Isso causava medo. Hoje, é possível conviver relativamente bem com a Aids, e talvez o fato de as pessoas não ‘perceberem’ a doença faça com que elas parem de usar preservativos".
 Fundador e voluntário do Grupo de Apoio a Pessoas vivendo com HIV/Aids (Gapa-MG), Roberto Chateaubriand Domingues destaca a importância de uma campanha voltada para os jovens. Mas alerta que outros grupos não devem ser deixados de lado. "Acho fundamental garantir esta especificidade, mas não se deve anular algo que é igual para todos. A Aids não escolhe pessoa, sexo ou idade".
 
Roberto destaca que o desafio é fazer com que os jovens dimensionem as consequênci’as da doença. Para ele, a juventude, que inicia cada vez mais cedo a vida sexual, não está tocada por estratégias de prevenção. "Eles não estão sob o signo do medo, da dor, como aconteceu na década de 1980. Não é preciso pânico, mas muita informação e responsabilidade".
 
Apesar do sinal vermelho em relação à incidência do HIV entre jovens, os indicadores apontam para a estabilização das notificações de Aids no país. O número de novos casos passou de 35.900 em 2009 para 34.200 no ano passado.

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